A redução da maioridade penal foi o principal assunto debatido pelos deputados cearenses da Assembleia Legislativa na manhã de ontem. Por quase duas horas os deputados discutiram os requerimentos de Ely Aguiar (PSDC), um sugerindo que houvesse um amplo debate para discutir o assunto e outro dando ciência acerca do posicionamento da Casa. Apesar de o parlamento do Ceará ter se posicionado favorável à redução, com 19 votos favoráveis, nove parlamentares se mostraram contrários à proposta apresentada.De acordo com Ely Aguiar, a “avalanche de crimes” no País tornou-se insuportável e a maioria dessas ocorrências vem sendo praticada por jovens de 16 e 17 anos de idade. Ao lado do Peru e da Colômbia, o Brasil é o único País do mundo que mantém a maioridade penal a partir dos 18 anos. “Nos Estados Unidos, um garoto de 12 anos foi apenado por ter matado o pai. Não estamos aqui buscando apenar o adolescente, mas dizendo que não pode. A Lei não existe para punir ninguém, mas é uma determinação que diz que não pode fazer isso”, apontou o parlamentar em defesa do tema.Ele lembrou que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) afirmou que a redução da maioridade não deve diminuir o aumento da violência, mas afirmou que a Lei Maria da Penha, por exemplo, reduziu os casos de violência contra as mulheres. Ele apresentou dados do Datafolha, que fez pesquisa recente apontando que 93% dos paulistanos defendem a maioridade penal de 16 anos. “É inaceitável que uma jovem seja estuprada e assassinada por adolescentes. Os adultos serão apenados, mas os adolescentes ficam na mais pura impunidade e nós não aceitamos mais isso”, disparou.Ely Aguiar ressaltou ainda que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), quer que a punição desses jovens passe de três para oito anos de reclusão. “Nós queremos que estes adolescentes sejam punidos. Na semana passada, a Polícia prendeu um jovem de 17 anos e cinco meses que já tinha matado 14 pessoas, rindo, como se nada tivesse acontecido”, criticou.

Advertisements