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A corrupção de policiais e os grupos de milícias são outro problema que enfrentamos no Rio.
Ironicamente, os policiais corruptos têm geralmente as mesmas razões que um traficante para entrar na vida ilegal: uma fraca educação, a falta de dinheiro e a falta de perspectivas para o futuro.

Muitos dos policiais da cidade, principalmente os militares, procedem de setores menos favorecidos da sociedade. Eles costumam ter pouco acesso à educação e poucas alternativas profissionais. Grande parte é mal remunerada, mal equipada e mal treinada, mas, mesmo assim, precisam enfrentar altos riscos diariamente. Tudo isso faz com que alguns policiais sintam-se atraídos por formas alternativas de conseguir dinheiro, cedendo à corrupção.

Existem no Brasil três forças policiais.

A Polícia Militar uniformizada é responsável pelo policiamento preventivo e por manter a ordem pública. Tem o dever de patrulhar as ruas para inibir e evitar a ação de criminosos, e também prender bandidos que cometeram crimes.

A Polícia Civil investiga crimes de dentro do Estado, como homicídios, roubos e sequestros, mas trabalha à paisana e não usa uniforme.

Já a Polícia Federal se responsabiliza pelos crimes de dimensão nacional, como contrabando, tráfico de drogas e tráfico de armas, além das atividades criminosas interestaduais e internacionais.

As delegacias do Rio também não ajudam no processo de justiça. Elas são velhas, muitas não contam com serviços e sistemas computadorizados, e algumas nem mesmo têm ar condicionado. As instituições policiais acabam não dialogando entre si. São grupos com diferentes funções que poderiam contribuir uns com os outros, mas que algumas vezes ficam isolados.

O acordo entre policias e traficantes que existe em muitas favelas do Rio de Janeiro é simples de entender. Para não serem presos e para manter o comércio de drogas, os criminosos precisam pagar propina aos policiais. A quantia é normalmente uma porcentagem do dinheiro obtido com a venda de drogas, ou um valor fixo mensal acertado entre eles.Já as milícias são grupos criminosos formados por policiais, bombeiros, vigilantes, agentes penitenciários e militares, fora de serviço ou na ativa, muitos deles também moradores das comunidades. O fenômeno é coordenado por agentes de segurança pública, políticos e até líderes comunitários. Essas milícias passaram a empregar a estrutura do Estado como base para suas ocupações criminosas.

O objetivo das milícias é conseguir dinheiro. Para isso elas enfrentam traficantes ou negociam com eles. Dizem oferecer segurança aos moradores em troca de pagamento. Além de cobrar tributos, os milicianos controlam o fornecimento de muitos serviços, incluindo a venda de gás, a eletricidade e alguns sistemas de transporte privado. Também providenciam a instalação de sinais clandestinos de televisão a cabo.Mais de 200 favelas estão sob o controle de milícias, que supostamente estariam oferecendo segurança aos moradores. Entretanto, a população conta o contrário, denuncia o uso extensivo de violência e a extorsão em troca de proteção.

As comunidades sofrem abusos. As milícias tomam conta dos lugares com violência assim como os traficantes, impõem toques de recolher e normas rígidas à população, sob pena de castigos violentos em caso de descumprimento. O medo, mais uma vez, está presente na rotina dos moradores, que acabam pagando para ter a chance de tentar viver em paz.Além disso, algumas comunidades relataram ter sofrido retaliações das facções do tráfico de drogas. Isto é, os moradores precisam conviver com a existência destes dois poderes dentro da comunidade. Há uma linha tênue no acordo entre traficantes e grupos milicianos. A guerra entre eles é sempre uma ameaça. Traficantes querem se livrar das regras impostas pelas milícias e cobram que a população não dê suporte para o poder destes grupos de milícias. A situação transforma a vida dos moradores num jogo de relações complicadas e perigosas.Assim como o tráfico, as milícias do Rio de Janeiro também possuem suas facções. Entre elas estão a chamada Liga da Justiça e a Milícia de Rio das Pedras, que foi uma das primeiras.

O avanço das milícias reproduz e reforça a omissão e a permissividade do poder público local. Ao longo das últimas décadas, o abandono das favelas permitiu a ocupação desordenada do território, o comércio informal e a exploração irregular de atividades e serviços.

As esperanças de melhores dias estão agora renovadas com as ações e projetos do secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, e sua equipe. Treinamento de novos policiais,política de policiamento comunitário, investigações, julgamentos e punições estão em andamento. O Rio volta a sonhar com asfalto e morro pacificado e com políticas reais de segurança para a cidade