​Conta-se que certa feita um negro maldoso e inconsequente resolveu pregar uma peça em idoso e experiente mestre, famoso por sua sabedoria.
— Quero ver se esse velho é sábio como dizem. Vou esconder um passarinho em minhas mãos. Depois, em presença de seus discípulos, vou perguntar-lhe se está vivo ou morto. Se responder que está vivo, eu o esmagarei e o apresentarei morto. Se afirmar que está morto, abrirei a mão e o pássaro voará. Uma armadilha infalível. Aos olhos de quem presenciasse o encontro, qualquer que fosse sua resposta, o sábio ficaria desmoralizado. E lá se foi o negro mal-intencionado, com sua artimanha perfeita. Diante do ancião acompanhado dos aprendizes, fez a pergunta fatal:
— Mestre, este passarinho que tenho preso em minhas mãos está vivo ou morto?
O sábio olhou em seus olhos, como se perscrutasse os recônditos de sua alma, e respondeu:
— Meu filho, o destino desse pássaro está em suas mãos.
Esta história pode ser um exemplo da perversidade que não vacila em esmagar inocentes para conseguir seus objetivos. Será uma demonstração das excelências da sabedoria, a sobrepor-se aos ardis da desonestidade. É, sobretudo, uma ilustração perfeita sobre os mistérios do destino, pois tudo está sempre em nossas mãos. 

#whitegeNOcide

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prefeito de São Paulo, João Doria, em passagem por Fortaleza nesta sexta-feira para evento com empresários, disse a jornalistas que não é candidato à Presidência da República, mas lembrou que está capacitado para administrar o País, defendeu a redução do Estado como forma de combate à corrupção, atacou Lula e criticou o populismo, classificou políticas assistencialistas de cabresto eleitoral e afirmou que o Nordeste precisa é de empregos e empreendedorismo, apontando o Ceará como referência para a região.

Ao ser indagado sobre os recorrentes ataques de Ciro Gomes, pré-candidato do PDT na disputa presidencial, Doria respondeu: “Porque ele me teme, assim como o Lula e o petismo me temem também. Aliás, ao Ciro Gomes, um recado para ele: que ele intensifique mais a sua frequência nas consultas ao psiquiatra, ele está precisando”.


Tenho dificuldade em entender por que o governo posterga algumas medidas que há muito deveriam ser tomadas. Por exemplo, a inclusão do termo ”otário” ou ”otária”, em vermelho vivo, bem visível, em RGs e carteiras de motorista de trabalhadores das classes média e baixa. Com a devida identificação de como o Estado os veem, não haveria constrangimento algum quando o poder público e os mais ricos resolvessem passar a mão em suas bundas em público .

Bastou a área econômica assumir que estava estudando a hipótese de sei lá, talvez, quiçá, aumentar o Imposto de Renda sobre profissionais que ganham mais de R$ 20 mil por mês, criando uma nova alíquota de 35%, para que uma enxurra  de críticas do mercado financeiro e do Congresso Nacional surgissem contra essa abominação.

A grita foi ainda maior, a bem da verdade, porque também já estava sendo estudado o retorno da taxação de dividendos recebidos de empresas por pessoas físicas, algo em torno de 12 a 15%. O Brasil é um dos únicos países desenvolvidos recebidos de empresas por pessoas físicas, algo em torno de 12 a 15%. O Brasil é um dos únicos países desenvolvidos ou em desenvolvimento em que isso não acontece, fazendo com que as camadas mais altas que vivem de lucros paguem, proporcionalmente, menos impostos que os mais pobres. A medida teria que vir junto com a nova alíquota do IR para evitar uma corrida à pejotização dos profissionais de mais alta renda.

Isso era um bom ponto de partida para um debate público. A faixa de R$ 20 mil é muito baixa para uma alíquota de 35%? Vejamos os números para discutir algo mais factível, como R$ 30 mil ou R$ 40 mil. Mas o tema foi interditado sumariamente.

Ou seja, os mais ricos e seus representantes políticos enviaram um lembrete ao governo: a conta da crise econômica, conforme o combinado quando colocamos vocês aí, é para sair apenas do bolso dos mais pobres e não mexer em nossos previlegios.

”Se tiver que passar pela Câmara, não passa”, avisou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).


Não dá nem para dizer que isso é hipocrisia porque a maior parte da Câmara não esconde suas preferências ou não tem medo de atender ao desejo de seus patrocinadores. Os deputados federais aprovaram, sem pudores, a PEC do Teto dos Gastos, que limita pelas próximas duas décadas investimentos em gastos, como educação, saúde, reduzindo a qualidade de vida da turma pobre que depende de serviços públicos. Aprovou uma Lei da Terceirização Ampla, que deve precarizar o mercado de trabalho, e uma Reforma Trabalhista que retira proteção à saúde e à segurança dos mais vulneráveis. E está passando um rosário de leis que ferem a dignidade de populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas, entre outros grupos. Sem contar que Rodrigo Maia quer aprovar o aumento de 15 para 25 anos de contribuição mínima para se alcançar a aposentadoria, o que atinge diretamente os mais pobres.

A mesma Câmara dos Deputados se esforça para manter subsídios bilionários a setores empresariais e prepara um perdão multibilionário de até 99% dos juros e multas que deveriam ser pagos por devedores de impostos.

Medidas de justiça social não resolvem o problema de caixa no país, o que só deve acontecer com crescimento econômico. Mas, pelo menos, o chicote, que hoje estala na grande maioria dos trabalhadores também seria sentido no lombo dos mais ricos. Com isso, teríamos menos vergonha de dizer lá fora que somos uma democracia.

Os estudos conduzidos pelo governo são pertinentes e merecem apoio da sociedade. Se a alta do IR para os mais ricos e o retorno da taxação de dividendos fossem implantados, Michel Temer faria algo que seus antecessores não conseguiram no sentido de tornar mais justo o sistema tributário brasileiro.

Infelizmente, a relação entre o Poder Executivo e o Congresso Nacional e a parcela mais rica da sociedade segue gerando uma espécie de Robin Hood às avessas: o sistema tira dos pobres para garantir aos ricos. Enquanto um sócio de empresa recebe boa parte de sua renda de forma isenta, um metalúrgico e uma engenheira contratados via CLT são obrigados a bancar alíquotas de até 27,5% por salários que mal pagam um plano de saúde privado ou a escola particular dos filhos.

A falta de uma correção decente da tabela do Imposto de Renda também passou da hora de acontecer. Uma opção que vinha sendo discutida por técnicos do governo e por membros da oposição no Congresso era elevar a isenção para  rendimentos de até R$ 5 ou 8 mil mensais e começar a taxar a partir daí, criando alíquotas de 30%, 35% e 40% para rendas muito altas. Isso liberaria recursos dos trabalhadores para o consumo e, ao mesmo tempo, apontaria para uma progressão tributária mais justa. 

Esses elementos sempre esbarram na justificativa de que os mais ricos tirariam o dinheiro do país. Isso só aconteceria se tivermos um governo que se mantenha subserviente aos interesses de sua elite econômica, pois uma administração que pensa primeiro no bem público desenvolve instrumentos para não deixar isso acontecer. E, acontecendo, consiga punir os responsáveis. E não possibilite perdões para o repatriamento de dinheiro ilegal. 

Quando o governo Michel Temer ensaiou equilibrar a balança, o próximo na linha sucessória bateu o pé e soltou um nem que a vaca tussa. Como precisa do apoio do grande empresariado e do mercado para não ser trocado por Rodrigo Maia, a solução é pedir desculpas, dizer que os estudos foram apenas rabiscos aleatórios e deixar tudo como está. 

Você, trabalhador de classe média ou baixa, caso sinta uma apalpada nas nádegas logo após uma chicotada no lombo, não estranhe. É sua cota de sacrifício pelo desenvolvimento do Brasil. Seguido de um lembrete de que este país tem dono dono. E, definitivamente, não é você....

Depois de ameaças de organizações criminosas — que pretenderiam realizar ataques na Comunidade do Lagamar —, da prisão de integrantes de facção e da ocupação pela Polícia Militar, ontem, houve disseminação de série de boatos sobre o clima na região. 

Durante todo o dia, circularam mensagens e áudios atribuídos a facções ordenando o fechamento de alguns pontos comerciais, escolas e estabelecimentos públicos na área. Um morador do bairro Alto da Balança — do qual o Lagamar faz parte — afirmou que circularam mensagens pela rua para que as pessoas não saíssem de casa. “Disseram (traficantes) que não era pra ninguém sair. Minha neta não foi estudar hoje”, comentou.

O único lugar que fechou, identificado pela equipe do O VOZ DO CEARA ontem à tarde, foi o Posto de Saúde César Cals de Oliveira, na rua Capitão Aragão, que encerrou o expediente às 13 horas. Moradores das proximidades informaram que houve a ordem de fechamento do local por parte do tráfico. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) confirmou o encerramento das atividades mais cedo e afirmou que a direção tomou a decisão por “precaução e segurança”.


Apesar dos boatos e ameaças, a maioria das escolas e estabelecimentos da área teve funcionamento normal. Somente em alguns pontos a movimentação foi alterada com presença policial e baixa frequência de alunos, informaram moradores.


As escolas visitadas pelo
O VOZ DO CEARA ontem — Escola Estado do Pará, Escola Yolanda Queiroz e Escola Circulista de Jesus — estavam funcionando. Em algumas, houve relato de frequência bem menor devido à circulação das mensagens. Não foi encontrada nenhuma escola fechada. Por meio de nota, a Secretaria Municipal da Educação (SME) informou que todas as escolas da região do Lagamar funcionaram normalmente nos últimos dias. “Em turnos pontuais, os pais optaram por não levar os filhos”, comunicou a nota.

Perseguição

Na manhã de ontem, uma perseguição foi registrada na região, mas nada tinha a ver com o movimento de organizações criminosas. Houve um crime de violência contra a mulher, enquadrado na Lei Maria da Penha, na área. O homem agredia a mulher e acabou preso. 

 

No fim da tarde, o Comando de Policiamento da Capital (CPC), em parceria com a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), implantou uma blitz na esquina das ruas Capitão Aragão e Capitão Olavo, no bairro Alto da Balança. De acordo com o sargento que se identificou apenas como Aleixo, a blitz tinha o objetivo de realizar abordagens e desarmamento. (colaborou Jéssika Sisnando)

 

Saiba mais


Localização

O Grande Lagamar abrange os bairros Alto da Balança, Aerolândia e Tauape, nas regionais II, IV e IV. 

 

Prisão 

Três armas de fogo, entre elas uma submetralhadora, foram apreendidas por uma composição da Polícia Militar, na última quinta-feira, 3, na Comunidade do Lagamar. Três homens foram presos e um adolescente foi apreendido. Grupo da Cidade de Deus pretendia executar pessoas no Lagamar e participou de vídeos com ameaças aos oponentes.

Mudança

Quando O VOZ DO CEARA esteve no Lagamar na quinta-feira, a equipe constatou a mudança de uma família ameaçada de morte.

Para presidente do TSE, eleitor não pode se deixar intimidar por facções criminosas e milícias

BRASÍLIA – Numa disputa eleitoral com muitos casos de violência contra candidatos, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, diz que o eleitor não pode se deixar intimidar por facções criminosas e milícias. Ele também reconhece que há risco de judicialização das campanhas, com a possibilidade de eleitos virem a perder o cargo por impugnação de candidaturas.

Houve muitos casos de violência contra candidatos na reta final. A violência foi acima do normal nesta eleição?

Os números são preocupantes. Nós já havíamos sido advertidos pelo presidente do TRE do Rio de que havia o risco de recrudescimento da violência em função do encerramento da Olimpíada e da Paralimpíada e da saída das forças federais. Então, nós cuidamos, junto com os ministros da Defesa (Raul Jungmann) e da Justiça (Alexandre de Moraes), para que houvesse a permanência delas. Aí tivemos os episódios na Baixada Fluminense. Hoje, já são mais de 15 assassinatos na região. O Rio tem uma situação peculiar: tem a violência ligada à concorrência política, mas tem a questão do crime organizado, das milícias.

O eleitor poderá estar submetido a algum tipo de risco quando for votar? As facções podem querer dar algum tipo de recado?

Não acreditamos nisso, mas não podemos subestimar a presença do crime organizado no processo. Eu acho, e tenho falado com as autoridades, que o Rio de Janeiro é mais que um case de estudo. É um desafio para o Brasil. Falei ontem com o vice-procurador-geral, com o ministro da Justiça, o da Defesa, com a presidente do Supremo Tribunal Federal. Acho que as autoridades deveriam pensar em algum tipo de união, um mutirão para enfrentar esse tipo de situação, pois nos preocupa a presença do crime organizado nas eleições. Tornando-se vereador, prefeito, deputado, passa a atuar de maneira organizada no sistema político.

A Justiça Eleitoral tem como evitar essa participação, se eles (os criminosos) forem eleitos?

Formalmente não, talvez a (Lei da) Ficha Limpa. Mas se são pessoas ligadas ao crime, elas têm que ser combatidas pelo processo institucional normal. Por isso, tem que haver uma ação conjunta. Isso vai muito além do processo eleitoral, exige um mutirão institucional.

No caso do Rio, o senhor se refere a algum mecanismo para impedir que o crime organizado se institucionalizasse via eleição?

Na verdade, tem que haver o combate ao crime organizado. Em suma, o estado de direito tem de voltar a presidir as relações. Não pode haver um território em que as pessoas não podem transitar ou que as autoridades não podem visitar. Por exemplo, eu estava na presidência do TRE do Rio, discutindo logística, e fomos informados que na Favela da Maré, às seis horas da manhã, não poderiam entrar as urnas. Na logística, previa-se para às seis da manhã. Lá são 90 mil eleitores.

A violência e a presença do crime organizado no processo são mais graves no Rio do que no resto do país?

Isso o setor de inteligência terá que identificar. Mas, certamente, tem uma presença muito forte no Rio, onde você identifica facções, a presença forte das milícias. Isso é notório. Mas nós já vimos essa discussão em São Paulo, a presença do PCC na Câmara de Vereadores e até na Assembleia Legislativa.

Com as doações de pessoas físicas, há políticos dizendo que facções estão financiando campanhas…

Não há uma relação de causa e efeito. Com o modelo de doação corporativa nós já tínhamos também a presença de doações ilícitas. Mas é claro que há uma certa facilitação, na medida em que o dinheiro já é ilícito, já vem de caixa dois, três, quatro e certamente pode ser vertido para a campanha. Mas eles já participavam antes do processo. Nas comunidades, pessoas ligadas notoriamente ao crime organizado, às vezes até por laços de parentesco, estão liderando campanhas em vários locais no Rio de Janeiro.

Que conselho o senhor dá ao eleitor que hoje vai às urnas e que tem, na região dele, um candidato com essa vinculação com o crime organizado?

Eu diria: não sucumba a esse tipo de tentação, não valide o crime organizado, não reforce esse tipo de poder.

O voto é secreto, mas há pessoas que acreditam que, mesmo assim, há controle sobre o voto. Como o eleitor se garante sobre isso?

Não podemos escamotear a realidade. Sem dúvida nenhuma as pessoas que estão em uma comunidade sabem como foi o resultado da eleição e como se comportaram determinados setores. Elas têm razão para temer esse tipo de domínio. Mas me parece que o trabalho, que não é de curto prazo, do poder público, é de uma libertação, de restaurar a normalidade nesses espaços, restaurar a autoridade, a presença do estado de direito

Não, não se pode dizer isso. Eu sou crítico da mudança, mas tenho a forte impressão de que, para fazer ajuste no sistema de campanha, temos que fazer antes ajuste no sistema eleitoral. E sabendo qual é o sistema eleitoral, vamos poder fazer o financiamento de campanha. Temos 500 mil candidatos e como é que se financia esse sistema? Com esse sistema, se o Estado fosse distribuir R$ 10 mil (a cada candidato), o que é insuficiente, precisaríamos de R$ 5 bilhões do fundo partidárioA eleição deste ano tem uma legislação Frankenstein?

Exatamente. Combinamos coisas de difícil compatibilização. E ainda veio o Congresso e colocou limites mais ou menos estritos. Em 62% dos municípios, o gasto do candidato a vereador não pode ultrapassar R$ 10,8 mil. E nesses municípios a despesa do prefeito não pode ultrapassar R$ 100 mil. Portanto, tetos muito estritos. Será que (os limites) estão sendo observados? Será que não está havendo caixa 2? É muito difícil responder.

O senhor consegue ver alguma coisa positiva neste modelo?

O dado positivo é que, com a reação toda a esse excessivo gasto e com a legislação que se estabeleceu, e também com os modelos de fiscalização, as campanhas estão sendo mais modestas. Não vemos aquela gastança que se via. Pelo menos declarada. Os sinais exteriores de riqueza não estão se manifestando. Visitando Rio, São Paulo, não se vê aquela pujança que se via em termos de material (de campanha).

O uso de CPFs para doações está se confirmando?

Sim, está se confirmando. Temos hoje número significativo de doadores que em tese não teria condição de doar. Aquilo que ocorria antes com a campanha de doação corporativa migra agora para as doações individuais. As fraudes estão se verificando, pessoas que recebem Bolsa Família estão doando, mortos, a manipulação de CPFs para a qual chamávamos a atenção.

O senhor entende que a solução para uma eleição nacional, como a de 2018, tem que ser a volta do financiamento empresarial?

Não emito esse juízo. Defendo que façamos a reforma política, discutamos o modelo eleitoral. Se vamos adotar o modelo de lista, e isso cabe ao Congresso, podemos discutir se devemos manter o privado, se podemos sustentar como público.

E se não mudar o sistema eleitoral?

Eu acho muito difícil, mantido o atual sistema eleitoral, replicar esse modelo para as eleições de 2018. Nós estamos tendo a tendência de expansão do sistema de financiamento público. É o distinto público quem paga essa conta. E qual é o limite de subsídio? Se continuarmos com essa multidão de candidatos, é muito difícil subsidiar esse modelo apenas com fundos públicos, isso é evidente. Eu não considero mais possível chegar em 2018 com esse modelo, inclusive com esse modelo de coligações para as eleições proporcionais. Será um desastre se não conseguirmos fazer um mínimo de reforma, proibir a coligação e impor a redução de partidos no Parlamento.

O Supremo errou quando proibiu a cláusula de barreira?

Acho que errou. Erramos porque eu participei desse erro. Votei no sentido de que a fórmula era errada. Tentamos naquele momento sinalizar que iríamos inadmitir a infidelidade, mas tivemos que sinalizar que poderiam sair para formar um novo partido. Demos deixa para o aumento do quadro partidário. Todos os partidos que saíram daí (foram) um pouco nessa inspiração dada pelo Supremo. O próprio governo instigou o movimento de expansão, e mais oito partidos surgiram.

Com uma composição nova, o STF pode ter outro entendimento?

Com certeza, o tribunal hoje tem consciência de que esse quadro compromete não só o sistema político como a própria governabilidade.

O senhor diria que da Lava-Jato pode surgir a lição de que tem que haver um limite na doação?

Limite estrito, não pode ser 1%, 2% do faturamento. E, claro, precisaria ter outras disciplinas. Maior transparência. O ministro (Dias) Toffoli disse que o caixa dois teria sido banido porque Dilma declarou R$ 360 milhões, uma quantia enorme (em 2014). O candidato Aécio também declarou quase R$ 300 milhões. E o que se revela agora com as investigações da Lava-Jato? Que o marqueteiro que recebeu R$ 70 milhões declarados, também recebeu (por fora)… À boca pequena, pessoas ligadas ao sistema político eleitoral dizem que a campanha da presidente Dilma não pode ter ficado aquém de R$ 1,3 bilhão. Constatado isso, é fundamental que haja mudança.

Em 2012, havia muitos processos de impugnação de candidatura no TSE. Este ano, há um volume represado em instâncias inferiores. Prefeitos eleitos não vão assumir?

Houve um encurtamento do prazo. Tanto é que já discutimos aqui, estamos discutindo para a feitura de lei futura se não seria o caso de ter uma fase de pré-inscrição em que já ocorreriam os debates sobre a legitimidade (das candidaturas). Porque, de fato, vamos ter discussões. E aí poderemos ter um intenso terceiro turno. Eleições realizadas, o candidato concorreria agora impugnado.

Mais que em outras eleições?

Mais que em outras eleições. Essa, infelizmente, é nossa expectativa

Justiça e povo tem medo(youtube)

“Em qualquer horário em que estiver cumprindo ordens judiciais, é passível de acontecer algum episódio que atente contra minha vida”, diz o documento.

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MEDO GENERALIZADO

Oficial de Justiça declara estar impossibilitada de atuar em bairros com guerra entre facções

“Em qualquer horário em que estiver cumprindo ordens judiciais, é passível de acontecer algum episódio que atente contra minha vida”, diz o documento

influência das facções criminosas em alguns bairros de Fortaleza tem criado uma sensação generalizada de medo. Até mesmo quem precisa entrar nesses locais a serviço teme a ação dos bandidos.

O medo tem sido a justificativa para que mandados de justiça relacionados a crimes de tráficodeixem de ser entregues.

TV Jangadeiro teve acesso a uma certidão, assinada por uma oficial de Justiça, no último dia 20 de julho. No documento, ela afirma: “com imenso pesar certifico a atual impossibilidade de cumprimento de mandados nos seguintes bairro da capital: Tancredo Neves e Conjunto Tasso Jereissati”.

Ela ainda justifica o medo de ser assassinada: “Já tive a infelicidade de ser parada por moradores já conhecidos, implorando que eu deixasse a região (…) em qualquer horário em que estiver cumprindo ordens judiciais, é passível de acontecer algum episódio que atente contra minha vida“, diz o documento.

O problema vem se agravando desde 2015, quando um acordo de paz entre as facções criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital teria sido rompido. Os conflitos registrados dentro dos presídios limitaram também o direito de ir e vir das pessoas do lado de fora. Em meio ao fogo cruzado das facções, resta à população o medo.

Prefeito diz que um dos fatores que contribuem para a violência entre a juventude “é o modo como a Polícia trabalha, de forma discriminatória contra jovens pretos e pobres


Oprefeito do Município de Sobral, Ivo Gomes (PDT), irmão do ex-governador Cid Gomes e do ministro Ciro Gomes, criticou duramente o trabalho da Polícia Militar do Ceará e, especialmente, do Batalhão Raio, o carro-chefe da Segurança Pública da gestão do governador Camilo Santana. “Eu não concordo com a forma como o Raio aborda a juventude de Sobral. Eu sou testemunha, com meus olhos que a terra há de comer”.

Ele se referia a uma abordagem de rotina que policiais militares fizeram a alguns jovens durante um festival de quadrilha junina que  aconteceu naquela cidade no último fim de semana, cujo evento ocorreu sem nenhum incidente por conta do trabalho da PM no local.

Para Ivo, no entanto, a forma como os PMs trabalham na cidade da qual ele é prefeito incentiva a violência.  Para ele, uma das causas da juventude entrar na marginalidade e cometer atos de violência “é a forma discriminatória e humilhante como eles (os jovens) são tratados diariamente pelas forças policiais, por eles serem pobres e pretos”.

O prefeito acabou por disparar farpas na principal linha da política de segurança do governador Camilo Santana, aliado dos Ferreira Gomes.  Santana defendeu desde a sua campanha para o governo a ampliação do Raio em todo o Estado e cumpriu a promessa espalhando este modelo de  policiamento motorizado pelo Interior, e não foi por coincidência que Sobral acabou sendo a primeira cidade do Interior cearense a receber o Batalhão de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio), ainda em outubro de 2015.

Festa em Sobral

O lançamento do Raio em Sobral foi festejado e teve a presença de várias autoridades, entre elas,  o próprio Camilo Santana, o ex-governador Cid Gomes, o então prefeito Veveu Arruda e sua mulher a  vice-governadora do estado, professora Isolda Cela, que é a coordenadora do programa “Ceará Pacífico”.

Recentemente, Camilo Santana fez mais uma promessa: a implantação de unidades do BPRaio  em todas as cidades do sertão cearense com população igual ou acima de 50 mil habitantes até dezembro de 2018.